O álcool e o sexo

Historicamente, o álcool é associado de maneira positiva ao sexo, onde desde os tempos bíblicos aparece regando festejos e orgias. Essa relação se fortalece no imaginário humano, perdi a conta de quantas vezes escutei mulheres chegarem no consultório com problemas sexuais de anos (para não dizer de uma vida inteira) e dizerem que haviam passado por um profissional que lhes recomendara ‘tomar um vinho para relaxar um pouquinho’, mas aquilo não havia dado certo. E sim, sem chances de dar certo, pois um vinho jamais irá curar um trauma ou uma real disfunção sexual. Muitas pessoas acreditam que algumas bebidas são afrodisíacas, mas isso não passa de um mito, pois irá depender da quantidade ingerida. Em doses muito pequenas, o álcool desinibe os centros superiores cerebrais e libera os inferiores, ou seja, ele funcionará como um interruptor para se desligar as ânsias e as culpas. Isso, pode aumentar o tesão, por soltar as amarras e a imaginação. E isso pode ser um perigo quando se perde o senso crítico. A ‘libertação’ pode trazer altos riscos com uma enorme chance de arrependimento, como um vídeo indesejado nas redes sociais, ou sexo desprotegido e o medo de contrair uma doença sexualmente transmissível, ou uma gravidez indesejada.

Os efeitos da bebida no organismo são os mesmos para homens e mulheres. As mulheres só são mais sensíveis, por uma razão fisiológica – elas absorvem mais álcool por terem um volume menor da enzima que degrada a substância no estômago -. Escuto muito de homens que eles conseguem ter uma performance melhor com o álcool, principalmente quando apresentam ejaculação prematura. A bebida não tem função alguma de retardar a ejaculação, o que pode acontecer é que em quantidades pequenas, ajuda o homem a se sentir menos ansioso e mais desinibido. Dependendo da quantidade ingerida o álcool pode piorar a performance, ou fazer com ela nem aconteça. O homem pode não ter uma ereção suficientemente rígida para penetração, ou sequer ter uma ereção, pois a ingestão de álcool pode prejudicar a capacidade de manter o foco na relação sexual. Da mesma forma, para mulheres isso pode prejudicar a lubrificação e até mesmo a capacidade orgástica.

Bem, a verdade é que os efeitos do álcool no organismo passam por algumas fases, até chegar a intoxicação de células e centros cerebrais, e por isso é muito importante a atenção na quantidade de álcool ingerida. E esta medição é bastante sutil. A linha entre se livrar da timidez e perder um pouco das amarras, e se colocar em situações de riscos é tênue. Além do mais, será que vale a pena pensar que sempre será necessário ‘uma tacinha de vinho’ para uma boa transa? Cabe lembrar, que o uso excessivo do álcool constitui um grave problema…

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